segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Texto: Povos Pré-colombianos: Incas, Maias e Astecas

INCAS, MAIAS E ASTECAS

INTRODUÇÃO

A grande aventura do ser humano na direção da ocupação do planeta começou há mais ou menos um milhão de anos, quando, movidos pela necessidade de espaço e de alimentos, alguns membros que viveram na época do Paleolítico deixaram o lugar em que viviam e partiram para o desconhecido.
Atualmente, existem duas teorias que tentam explicar a chegada do homem ao continente americano: a Teoria Transoceânica e a Teoria de BehringBering. De acordo com a Teoria de BehringBering, com o passar dos anos, grandes alterações de clima, como períodos de grande resfriamento da Terra, resultaram na formação de verdadeiras “pontes de gelo” entre os continentes. E foi por meio de uma dessas pontes, que se formou no Estreito de BehringBering (entre a Rússia e o Alasca) que os primeiros hominídeos chegaram no solo americano. A chegada do homem ao continente americano teria ocorrido há aproximadamente cinquenta mil anos.
Segundo a Teoria Transoceânica, há cerca de dez mil anos os homens que habitavam a Polinésia (na região da Oceania) se locomoveram em direção à América do Sul em pequenos barcos. Esses teriam se movido por meio das correntes marítimas que os conduziram, até chegarem à atual América.
Antes da chegada dos europeus a partir do século XV, calcula-se que havia na América cerca de oitenta e oito milhões de habitantes, divididos em pelo menos três mil nações indígenas. Muitas nações eram aparentadas, outras tinham características bem diferentes. Alguns povos, na verdade a maioria,maioria, eram seminômades, vivendo da caça, da pesca, da coleta e de uma agricultura muito simples, baseada no cultivo da mandioca e do milho. Outros povos já eram muito avançados, alcançando o estágio de civilização (como os maias, os incas e os astecas). Vejamos como viviam estes últimos, os povos pré-colombianos.pré-colombianos.



1. MAIAS
Vindos da América do Norte ,Norte, após décadas vagando pela América Central, os mais estabeleceram-sese estabeleceram no Yucatán e áreas próximas, por volta de 900 a . C. C.
Plantavam algodão, tomate, feijão, batata, cacau e milho. Fabricavam tecidos de algodão e outras fibras, objetos de cerâmica e pedras preciosas,..., além de estabelecer um comércio com os povos vizinhos. Cada cidade maia era como se fosse um “minipaís”, isto é, um cidade-Estado com seu próprio governo, suas próprias leis,... Os camponeses e artesãos pagavam impostos em produtos para uma monarquia hereditária e cujo poder era baseado na origem divina (os deuses davam poder aos reis). Localizavam-se na península de Iucatã, América Central. Sua religião era politeísta, com deuses ligados às forças da natureza.
Quando os espanhóis chegaram à América, essa civilização já estava em decadência. As terras pouco férteis da região obrigavam os maias a realizar um rodízio, que geralmente mantinha a terra boa durante oito a dez anos. Após esse período era necessário procurar novas terras, cada vez mais distantes das aldeias e cidades. O esgotamento das terras, as distâncias cada vez maiores entre elas e as cidades e o aumento da população impuseram à civilização maia uma dura realidade. A fome foi um dos fatores que a levaram à decadência. Além disso, as lutas internas, as catástrofes naturais (terremotos, epidemias, etc.), as guerras externas e principalmente, o declínio da agricultura levaram a sociedade maia à decadência. Assim, quando os europeus chegaram à região, em 1559, os sinais de enfraquecimento dos maias eram evidentes, tornando a conquista mais fácil. E, em 1697, a última cidade maia – Tayasal - é conquistada e destruída pelos colonizadores.


2. ASTECAS
O imperador do Império Asteca comandava vários povos que foram dominados pelos astecas e deviam-lhe impostos. Sua capital, Tenochtitlám, tinha templos, palácios, ruas bem traçadas, mercados, praças e monumentos artísticos (ver figura logo abaixo). Plantavam milho, tabaco, feijão, pimenta, tomate, baunilha, algodão, abóbora, melão,... , em jardins flutuantes (espécies de ilhas artificiais construídas no Lago Texcoco). Essas ilhas eram chamadas de chinampas (ver as duas figuras paralelas).
Todas as terras eram do Estado (governo). Havia um intenso comércio, onde as trocas eram feitas de produto por produto (não usavam moeda). As pedras preciosas (jade, turquesa,...) valiam mais que o ouro e também usavam sementes de cacau como moeda. Produziam tecidos de fibras vegetais e outros instrumentos de cobre, joóias, cerâmicas,... Sacerdotes, comerciantes, nobres e chefes guerreiros eram as camadas mais favorecidas da sociedade.
Os camponeses e artesãos pagavam pesados tributos (impostos), em produtos, ao Estado. Havia também escravos (prisioneiros de guerra, criminosos ou quem não podia pagar suas dívidas). O Estado era comandado também por uma monarquia hereditária e cujo poder era baseado na origem divina (os deuses davam poder ao rei). Sua religião era politeísta e havia sacrifícios humanos aos deuses ligados às forças da natureza. Localizavam-se no México.



3. INCAS

Os Incas plantavam batata-doce, tomate, goiaba, abacate, amendoim, ananás (espécie de abacaxi) e milho. Construíram canais de irrigação, tanques e terraços (“degraus”) nas montanhas para o plantio. Domesticaram o lhama, o guanaco, a vicunha e a alpaca, que serviam para o transporte e fornecimento de carne, lã e couro. O comércio era feito na base da troca de produto por produto. As terras pertenciam ao Estado e em cada “ayllu” (comunidade) eram divididas em: propriedades do Inca (imperador), dos sacerdotes e da própria comunidade local.
Os camponeses eram obrigados a trabalhar primeiro nas terras do Inca e dos sacerdotes, além de construírem obras públicas e trabalhar na mineração. Esse tipo de trabalho era chamado de “mita”. Os grupos mais privilegiados eram os funcionários do Estado, os chefes guerreiros, os sacerdotes e os “curacas” (o chefe local dos “ayllus”). O povo era governado por uma monarquia hereditária e de origem divina. Sua religião era politeísta e ligada às forças da natureza (deus do trovão, do arco-íris, dos planetas,...). Localizavam-se no Peru, ao longo da Cordilheira dos Andes.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Texto: Grandes Navegações e a Conquista da América

AS GRANDES NAVEGAÇÕES

INTRODUÇÃO

No século XV (1401-1500), a Europa passava por grandes transformações nos modos de viver e pensar de seus habitantes. Essas transformações foram tão marcantes que os próprios europeus daquele tempo consideravam que estavam vivendo em uma nova era: a Época Moderna. Que transformações eram essas e que novidades traziam? Após séculos de insegurança, provocada principalmente por guerras, revoltas sociais e invasões bárbaras, que haviam devastado a Europa, os europeus podiam deixar os castelos fortificados sem medo de serem feridos e mortos.


Com o final das guerras, também diminuíam os problemas da fome e das epidemias, a produção agrícola crescia e, com ela, a população europeia o comércio com o oriente, dominado pelos italianos e também pelos árabes, trazia lucros enormes. Moedas de ouro e prata circulavam pelo mar Mediterrâneo. Os europeus entravam na chamada Idade Moderna. Porém, o comércio ainda estava limitado aos mares Mediterrâneo, do Norte e Báltico.


A EXPANSÃO MARÍTIMA EUROPEIA - RUMO AO DESCONHECIDO
Há muitos séculos o oceano Atlântico atraía a curiosidade dos navegantes europeus mais ambiciosos. Mas as poucas expedições que se aventuraram mar adentro nunca mais volta¬ram. Essas tentativas malogradas criaram na imaginação popular as mais fervilhantes fantasias acerca do oceano desconhecido: monstros marinhos, águas ferventes e pedras-ímã, que puxavam as embarcações para o fundo, na altura do Equador. Por volta do ano 1400 não se conhecia o real formato da Terra. Era senso comum considerá-la plana como uma mesa, terminando em abismos sem fim.

Mas, por que, então, os europeus lançaram-se rumo a lugares completamente desconhecido por eles? Vejamos as motivações dessa incrível jornada:

• a partir do final do século XIV (por volta de 1400), houve o crescimento populacional da Europa, criando a necessidade de mais alimentos e matérias-primas para que os produtos pudessem ser fabricados;

• havia a necessidade dos outros países europeus de encontrar outro caminho para chegar ao Oriente. Isso porque o controle comercial de especiarias e artigos de luxo do Oriente que estava nas mãos dos árabes e italianos, como já vimos no trimestre anterior. Os árabes traziam do Oriente muitas especiarias e artigos de luxo, revendiam para os italianos, que revendiam para o resto da Europa por preços muito mais caros.

• também havia a falta de ouro e prata na Europa, que eram importantes para a fabricação de moedas.

• a nobreza conseguiria, com apoio dos Estados absolutistas, novas terras, além de postos militares ou do governo nas regiões conquistadas;


• a Igreja Católica tinha o desejo de combater os “infiéis” de outras religiões, (como os muçulmanos), além de conseguir novos fiéis, nos outros continentes, através da catequização (lembra-te: era a época da Contrarreforma);

• o Estado absolutista aumentaria seus poderes político e econômico, dominando e explorando novos territórios fora da Europa. Por isso financiou grande parte viagens marítimas;

• o grupo dos mercadores, isto é, a burguesia, desejava aumentar ainda mais seu comércio através da conquista de outros territórios. Por isso, também vai financiar uma parte das expedições marítimas, junto com os banqueiros (donos de bancos na Europa) e os reis absolutistas;

• os reis absolutistas queriam se livrar dos grupos “indesejados” em seus países: pessoas de outras religiões, pobres, ladrões, prostitutas, mendigos,...;

• a ciência renascentista e o contato comercial com os árabes também impulsionaram as grandes navegações, através de novas invenções e do desenvolvimento de técnicas e instrumentos já existentes: caravela, bússola, astrolábio, cartografia, canhão de bordo, imprensa,...;

• os inimigos dos cristãos, os turcos (de religião muçulmana), conquistam a cidade de Constantinopla em 1453, bloqueando grande parte do comércio europeu pelo mar Mediterrâneo (ver figura ao lado). Isso também contribuiu para que os países europeus tentassem encontrar uma nova rota de comércio com o Oriente (aliás, esse ano marca o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna);

• graças ao Renascimento e à Reforma Protestante, surge um “novo homem”, menos temeroso da natureza, mais confiante em si e mais desejoso de riqueza. A mudança de um pensamento teocêntrico para um pensamento antropocêntrico, além das novas invenções náuticas, também ajudaram os europeus a enfrentar o “Mar Tenebroso”, como era conhecido o Oceano Atlântico até então.


OS PRIMEIROS PAÍSES A PARTIREM
RUMO AO OCEANO ATLÂNTICO

Os primeiros países e enfrentarem as águas do Atlântico foram: Portugal (primeiro Estado absolutista europeu, com a Dinastia de Avis, em 1385) e Espanha (unificado politicamente em 1492, com o casamento de Fernando, do reino de Aragão, com a rainha Isabel, do reino de Castela).



PORTUGAL FOI O PRIMEIRO PAÍS A PARTIR PARA
AS GRANDES NAVEGAÇÕES. ISTO PORQUE:

• foi o primeiro país da Europa a se unificar em torno de um rei absolutista, durante a dinastia de Avis. Esse governo irá financiar as grandes navegações, junto com a burguesia;
• no século XV, Portugal era um país onde não existiam guerras. Isso possibilitou ao governo português ter dinheiro para investir nas grandes navegações;
• Portugal pôde lançar-se às grandes navegações por ser banhado em toda a sua costa oeste pelo oceano Atlântico;
• havia o incentivo aos estudos e pesquisas de navegação, pelo Estado absolutista português, através da “escola de Sagres” (que, na verdade, não foi uma escola no moderno conceito da palavra, mas um local de reunião de navegadores e cientistas onde, aproveitando a ciência dos doutores e a prática de hábeis marinheiros, se desenvolveram novos métodos de navegar, desenharam cartas e adaptaram navios);
• havia, por fim, a grande experiência portuguesa na navegação e a existência de uma burguesia comercial. Com dinheiro, portanto, para investir, junto com o Estado absolutista, nas grandes navegações.


AS ROTAS MARÍTIMAS DE PORTUGAL E ESPANHA


Enquanto os portugueses procuravam uma nova rota para o Oriente, contornando a África, os espanhóis chegavam a um novo continente, a América. Este novo continente foi conquistado por Cristóvão Colombo em 1492, a serviço da Espanha, que seguiu uma estratégia diferente dos portugueses: Colombo seguiu em linha reta rumo a Oeste, pensando em dar a volta ao mundo para chegar ao Oriente.


NAVEGAÇÕES PORTUGUESAS

1415 – conquista da cidade de Ceuta, no norte da África,
1419 – expedição portuguesa chega à ilha da Madeira.
1431 – reconhecimento do arquipélago dos Açores.
1434 – Gil Eanes ultrapassa o Cabo Bojador.
1482 – Diogo Cão chega ao Zaire.
1488 – Bartolomeu Dias atinge o Cabo sul-africano (depois denominado cabo da Boa Esperança).
1498 – Vasco da Gama atinge a cidade de Calicute, nas Índias. Portugal alcança o objetivo perseguido durante um século.
1500 – Pedro Álvares Cabral, em viagem para as Índias, atinge o Brasil.


NAVEGAÇÕES ESPANHOLAS

1500 – Vicente Pinzón chega até a foz do rio Amazonas, chamando-o de mar Doce.
1513 – Vasco Nunes de Balboa atinge o oceano Pacífico.
1519 – Fernando de Magalhães inicia a primeira viagem de circunavegação através do mundo, terminada em 1521.


OS MEIOS UTILIZADOS PELOS EUROPEUS PARA
A CONQUISTA OS POVOS PRÉ-COLOMBIANOS


 Uso da pólvora (armas de fogo, incluindo canhões). As armas, além de matarem com mais facilidade que as armas indígenas, provocavam grande impacto psicológico, devido ao barulho provocado, entre os nativos, pelos disparos.
 Uso do cavalo, proporcionando ao conquistador grande mobilidade na hora dos ataques e deslocamento.
 Uso do aço: com as armas de aço (espadas, lanças, facas, escudos, armaduras,...), os conquistadores facilmente podiam atacar e se defender dos nativos, que apenas tinham arcos, flechas, pedras, machados e lanças (ver figuras abaixo);
 O conquistador também foi ajudado pelas diversas doenças infecciosas que trouxeram da Europa (sarampo, tifo, varíola, malária, gripe,...), contra as quais os indígenas não tinham como sobreviver por não terem adquirido anticorpos.
 Uso da religião católica, pois os nativos ficavam mais “dóceis”, obedientes. Já que a Igreja pregava a não violência dos nativos, ficava mais fácil o homem branco dominá-los.
 Alguns povos acreditaram que os europeus eram divindades e aceitaram sua penetração do meio de seu povo por isso. Isso facilitou a exploração de tais povos pelos europeus.
 Os europeus estimulavam a luta entre tribos rivais para que essas destruíssem umas às outras.


CONSEQUÊNCIAS DA EXPANSÃO MARÍTIMA PARA A EUROPA

 montagem do Pacto Colonial, isto é, a exploração das metrópoles (países europeus) sobre suas colônias (territórios conquistados). Ex.: Portugal explorava o Brasil. Pacto ou Sistema Colonial – as colônias só poderiam comprar e vender para a metrópole, fornecendo matérias-primas e produtos agrícolas tropicais a preços baixos e comprando das metrópoles produtos fabricados a preços mais elevados. Não poderia haver competição entre a colônia e a metrópole;

 o comércio diminuiu bastante no Mediterrâneo, sendo que o oceano Atlântico torna-se o lugar onde circulam cada vez mais navios transportando mercadorias;

 fortalecimento dos Estados absolutistas e da burguesia mercantil;

 divulgação da religião cristã nos demais continentes: América, Ásia e África;

 disputa pelo domínio do mundo entre Portugal e Espanha: a Bula Intercoetera (1493), assinada entre os dois países, dividiu o mundo em um meridiano que passava a cem léguas do arquipélago de Cabo Verde; depois, o “Tratado de Tordesilhas” (1494) passa a dividir o mundo a partir de um meridiano traçado a trezentos e setenta léguas de Cabo Verde (ver figura abaixo).

 melhoria da tecnologia ligada às navegações (novos navios, armas, aparelhos de navegação,...), ampliação dos conhecimentos geográficos (novos mapas) e conhecimento de novos elementos da fauna e flora de locais fora da Europa.

CONSEQUÊNCIAS DA EXPANSÃO MARÍTIMA PARA
OS POVOS CONQUISTADOS
 Morte e destruição dos povos através do uso da pólvora, de cavalos, da escravidão, do emprego do aço, das doenças trazidas pelos brancos europeus e da desorganização do modo de vida nativo.
 Descaracterização cultural devido ao contato com novos costumes e à ação dos religiosos.
 Apropriação e devastação contínua da flora e fauna da América.

TEXTO ADICIONAL: O COTIDIANO DOS VALENTES MARINHEIROS...

Feito o abastecimento, a embarcação saía navegando pelo rio Tejo para logo atingir as águas do “Mar Oceano”, termo que na época designava o Oceano Atlântico. Pouco antes da partida, em meio ao choro dos parentes que temiam nunca mais ver seus entes queridos, uma missa era realizada em favor da tripulação. Para indenizar os que assumiam tão arriscada aventura, o governo português oferecia uma recompensa financeira à sua família equivalente a um ano de trabalho.
Durante a viagem, um oficial ficava postado em uma cadeira alta fixada na proa ou na popa da embarcação. Dali ele teria que contrapor as informações de seus mapas com a cor da águas, que variava de acordo com a profundidade do oceano. Após uma análise, uma série de ordens era repassada ao timoneiro. Logo em seguida, no convés da embarcação, o mestre designava as tarefas a serem rapidamente executadas pela sua equipe de marinheiros. Longe daquilo que se imagina, o capitão do navio era a pessoa que menos entendia das técnicas e expedientes que matinha o navio seguindo o seu roteiro de forma estável. Na maioria dos casos, ele era um nobre que representava a autoridade do rei na embarcação. Dessa forma, o capitão era quem exercia a função estritamente política de intermediar os conflitos entre os tripulantes e dar a palavra final sobre algum problema ou decisão a ser tomada.
Passada toda a agitação que cercava o cotidiano do navio diurnamente, os tripulantes se recolhiam à noite para buscar algum descanso no porão do navio. Nesse momento, marujos, soldados, cargas e animais se misturavam na insalubridade de um lugar nada confortável. Essa agonia só não era reservada aos que ocupavam altos cargos na embarcação. O capitão e os oficiais militares de alta patente costumavam se alojar em camarotes privados onde também poderiam levar os membros de sua família. Uma alimentação farta e saudável era praticamente impossível nesses mesmos ambientes. Não tendo espaço para estocar comida e água suficientes, os tripulantes passavam por sérias privações.
A ração diária fornecida aos tripulantes comuns não passava de três refeições compostas por biscoito, e duas pequenas doses de água e vinho. Somente os mais privilegiados tinham a possibilidade de usufruir de carnes, açúcar, cebolas, mel, farinha e das frutas que eram transportadas. Em situações mais extremas, os tripulantes poderiam comer alimentos crus mediante a falta de um fogareiro que pudesse preparar a refeição. Quando a fome apertava de vez, a ingestão de alimentos podres, insetos (baratas e ratos) e cadáveres humanos também apareciam como uma última alternativa. A forte tensão causada pela constante falta de alimento poderia até mesmo colocar a vida do capitão em risco, que sempre estava armado para não ser vítima de algum motim ou rebelião.
As munições eram muito bem guardadas e nenhum tripulante vulgar poderia se utilizar de armas sem a expressa autorização. O uso de armas só acontecia deliberadamente quando algum navio pirata atacava a embarcação. Caso contrário, seguia-se a dura rotina dessa aventura inglória em que se corria atrás das desejadas riquezas de outras terras e povos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

RENASCIMENTO

RENASCIMENTO

RENASCIMENTO

O RENASCIMENTO

1. CONCEITO E ORIGEM.
O Renascimento surgiu na Itália, sendo caracterizado como um movimento de mudança na maneira de pensar e entender o ser humano e o mundo dos europeus. Espalhou-se pela Europa ocidental entre os séculos XIV e XVI, essa nova maneira de pensar baseou-se na cultura greco-romana e renovou a literatura, a arte e a ciência a partir da Baixa Idade Média.

2. REVISANDO: A MENTALIDADE DOS EUROPEUS ANTES DO RENASCIMENTO.
Era fortemente influenciada pela Igreja Católica: havia o teocentrismo (Deus é o centro do universo). Isto é, interpretação do homem e do mundo devia ser feita de acordo com o pensamento religioso.
4. POR QUE O RENASCIMENTO SURGIU NA ITÁLIA:
 graças à existência de muitos ricos (burgueses comerciantes, príncipes e até reis e papas), que patrocinaram os artistas. Estes patrocinadores foram chamados de mecenas. Lembrando: muitos burgueses, devido à reabertura do Mediterrâneo (graças às guerras das Cruzadas, lembra?) queriam se destacar na sociedade. E, por isso, apoiaram, principalmente, a arte renascentista;
 a Itália havia sido o centro do Império Romano e do Império Romano do Ocidente. Portanto, a cultura greco-romana estava muito presente em esculturas, pinturas, prédios,..., nas cidades italianas;
 muitos sábios, portadores da cultura grega e helênica, foram se instalando na Itália ao longo do tempo. Essa chegada de novos sábios foi intensificada pela tomada de Constantinopla, em 1453, pelos árabes turco-otomanos;
 a Itália praticava, há muito tempo, o comércio com os árabes. Portanto, muitos conhecimentos e inventos das civilizações muçulmana e do Oriente chegavam aos italianos, influenciando a arte e a ciência;
 o desenvolvimento da imprensa (Johann Gutenberg) também favoreceu o Renascimento, pois a divulgação dos novos conhecimentos ficou mais acessível às pessoas através da edição de livros pela tipografia (os livros, antes, eram todos escritos à mão e eram muito caros).

3. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO RENASCIMENTO:
 humanismo – retomada do estudo da língua e da literatura da Grécia e Roma antigas;
 antropocentrismo – o homem é o centro do Universo, ao contrário do teocentrismo;
 racionalismo – a interpretação do ser humano e do mundo através da razão;
 naturalismo – valorização da natureza. Portanto, a realidade deveria ser retratada como o máximo de perfeição nas artes;
 individualismo - o indivíduo passa a ser mais importante do que a coletividade (lembre-se: o comércio crescia cada vez mais e, consequentemente, os lucros da burguesia também. Isto favorecia a competição entre os homens, portanto o individualismo crescia também);
 nacionalismo – exaltação daquilo que pertence à nação, ao país (a língua, a cultura,...). Por isso, muitos reis também irão apoiar o Renascimento.

4. COMO O PENSAMENTO RENASCENTISTA FOI DEMONSTRADO NA ARTE (PINTURA E ESCULTURA):
 destaque para o corpo humano na escultura e na pintura, devido aos estudos de anatomia;
 uso da técnica de perspectiva, do efeito claro-escuro e das sombras;
 exploração de outros temas, inspirados na mitologia clássica, nas cenas do cotidiano;
 pintura também de retratos, bustos e estátuas de personalidades da época ou mesmo de burgueses que encomendavam as obras;
 assinatura do artista em suas obras, abandonando a humildade e o anonimato medieval, ao mesmo tempo em que buscava destaque na sociedade individualista e competitiva que surgia na Baixa Idade Média.

5. QUAIS FORAM AS MUDANÇAS QUE O RENASCIMENTO PROVOCOU NA CIÊNCIA?
O Renascimento provocou um grande impulso no estudo do homem e da natureza. O universo passou a não mais ser aceito como obra do sobrenatural. Assim, graças ao antropocentrismo e ao racionalismo, os cientistas desenvolveram cada vez mais o espírito de observação e de livre interpretação da natureza e do homem. O que levou, por sua vez, a novos métodos de pesquisa e experimentação.
O cientistas do Renascimento – Nicolau Copérnico: teoria heliocêntrica em oposição à teoria geocêntrica; Johann Kepler (enunciou várias leis da mecânica celeste); André Vessálio, Sylvius, Eustáquio e Falópio (dissecação de cadáveres para estudos de anatomia); Paracelso (criou a medicina química); Ambroise Paré (descobriu a laqueação das artérias, que substituiu a cauterização pelo ferro em brasa nas amputações); Guilherme Harvey (descobriu a grande circulação do sangue); Miguel Servet (descobriu a pequena circulação do sangue e a circulação pulmonar pelas artérias); Galileu Galilei (desenvolveu o telescópio, reafirma a teoria heliocêntrica de Copérnico); Francis Bacon (criação do método experimental).

PARA SABER UM POUCO MAIS: texto adicional
OS PRINCIPAIS ARTISTAS E ESCRITORES RENASCENTISTAS
Renascimento na Itália – Arte: Giotto; Leonardo da Vinci (Monalisa, Santa Ceia, Virgem dos rochedos, experimentos nas mais diversas áreas); Miguel Ângelo Buonarroti (David, Moisés, O escravo acorrentado, Pietá, Cúpula da Basílica de São Pedro, afrescos no teto da Capela Sistina, em Roma); Botticelli (Alegoria da Primavera, O nascimento de Vênus); Ticiano (retrato de Carlos V, Descida da Cruz; Tintoreto (Glória do Paraíso; Rafael Sanzio (Escola de Atenas e Madona Sistina, além de outras madonas e de retratos dos papas Júlio II e Leão X). Literatura - Dante Alighieri (Divina Comédia); Giovani Boccaccio (O Decameron); Gianozzo Maneti (Da dignidade e excelência do homem); Maquiavel (Comentário sobre os primeiros dez livros de Tito Lívio, A mandrágora, O Príncipe).
Renascimento na França - Literatura: François Rabelais (Fatos e Proezas do muito renomado Pantagruel, A Vida inestimável do grande Gargântua); Montaigne (Ensaios).
Renascimento nos Países Baixos – Arte: Jan Van Eyck (A Virgem e o Menino, com o irmão Hubert pintou o painel A adoração ao cordeiro); Pedro Paulo Rubens (Vênus e Adonis, Descida da Cruz, Casamento de Maria de Médicis); Hieronymus Bosch (O jardim das delícias); Pieter Brueghel (Casamento de Camponeses, Massacre dos inocentes, Cego guiando cegos). Literatura: Erasmo de Rotterdam (Elogio da Loucura).
Renascimento na Alemanha – Arte: Albert Dürer (Cristo Crucificado); Hans Holbein (Henrique VIII, Retrato de Erasmo);... Literatura: Hans Sachs (Rouxinol de Wittemberg).
Renascimento na Inglaterra – Literatura: Thomas Morus (Utopia); William Shakespeare (Sonho de Uma Noite de Verão, Romeu e Julieta, Otelo, Macbeth, Ricardo III, Henrique VIII, A Megera Domada, O Rei Lear).
Renascimento na Espanha – Arte: Domênico Theotocópuli “El Greco” (Crucificação, Enterro do Conde de Orgaz, São João Evangelista). Literatura: Miguel de Cervantes (Dom Quixote de La Mancha);...
Renascimento em Portugal – Literatura: Luís Vaz de Camões (Os Lusíadas) .
A REFORMA PROTESTANTE
1. CONCEITO E ORIGEM.
A Reforma foi um movimento religioso de protesto e ruptura (rompimento) com a Igreja Católica no século XVI, provocando a quebra da unidade do pensamento ocidental religioso e fazendo surgir novas religiões cristãs, como a Luterana, a Calvinista e a Anglicana. A Reforma surgiu na Alemanha, com Martinho Lutero, criador da religião luterana.

2. AS CAUSAS DA REFORMA:
 o clero católico estava muito ligado à vida material, deixando de lado o apoio espiritual aos seus fiéis, além de pouco preparado para a prática do sacerdócio;
 a corrupção e abusos praticados pela Igreja Católica (como a venda de indulgências – o perdão dos pecados -, de “relíquias sagradas” e de cargos eclesiásticos);
 os Papas estavam mais ligados às disputas de poder do que com as necessidades do povo, além de terem um comportamento que muitos criticavam (ex.: o Papa Sisto IV entregou diversos cargos a seus parentes e o Papa Alexandre VI teve amantes e filhos);
 o desenvolvimento da imprensa (Gutenberg) ajudou muito no surgimento da Reforma, pois permitiu que as Bíblias fossem editadas em maior número e até em outras línguas, e não mais em latim, língua que praticamente só o clero entendia;
 importante: grande parte da burguesia apoiou a Reforma, pois esta classe cada vez ganhava mais dinheiro com a expansão marítima e comercial no início dos tempos modernos. Porém, a exigência do “justo preço” e a condenação da usura (empréstimos), defendidas pela Igreja Católica, prejudicavam os lucros da burguesia;
 havia grande liberdade da Igreja frente ao poder político dos reis. Por outro lado, também havia a interferência do clero no poder de muitos reis. E, claro, isso não interessava aos reis. Por isso, alguns desses reis vão apoiar a Reforma (ex.: Henrique VIII, na Inglaterra);
 grande parte dos capitais (dinheiro) recolhidos pelo clero, em toda a Europa, era mandada para Roma. Isso também não interessava nem à burguesia, nem aos reis de alguns países;
 a Igreja não pagava impostos pelos vastos territórios que tinha na Europa. E os reis, parte da nobreza e até a burguesia “estavam de olho” nessas terras e nesses impostos;
 a mudança de pensamento provocada pelo Renascimento – como o antropocentrismo e o espírito crítico - ajudou no surgimento da Reforma também, pois fez com que muitas pessoas perdessem o medo de criticar as verdades da Igreja Católica.

3. COMO ERA A DOUTRINA CATÓLICA:
A Bíblia é a fonte da fé e deve ser interpretada somente pelos padres; a salvação ocorre pela fé e pelas boas obras; os sacramentos são sete (o batismo, a crisma, a eucaristia, o matrimônio, a penitência, a ordem e a extrema-unção); o ritual é a missa em latim. Locais de maior penetração da Igreja Católica: Portugal, Itália, sul da Alemanha, maioria da França, parte da Irlanda.

4. OS PRINCIPAIS REFORMADORES:
Martinho Lutero (Alemanha), João Calvino (Suíça) e Henrique VIII (Inglaterra).

MARTINHO LUTERO (1483-1546)
Em 1517, o papa Leão X lançou a venda de indulgências (o perdão dos pecados) para arrecadar dinheiro para a reconstrução da basílica de São Pedro, no Vaticano. Lutero, um monge agostiniano, escandalizou-se com essa salvação comprada a dinheiro. E fixou na porta da Igreja de Wittenberg um manifesto público – as 95 Teses – em protesto contra a venda de indulgências e onde também expunha os elementos de sua doutrina.
Em 1520, Lutero é excomungado pelo papa. Lutero queima em praça pública o documento que o condenava (a bula papal Exsurge Domine). Lutero foi apoiado por parte da nobreza, pela burguesia e por camponeses e artesãos urbanos. Lutero foi considerado herege pela Igreja Católico, mas, por contar com apoio da nobreza, não foi punido. Sob a proteção do príncipe da Saxônia, traduziu a Bíblia latina para o alemão, tornando-a o primeiro documento escrito em língua alemã moderna.
Mas é bom lembrar que Lutero também foi apoiado pela nobreza e pela alta burguesia porque condenou a revolta dos camponeses, em 1524. Estes, liderados por Thomas Münzer, organizaram uma série de revoltas contra sacerdotes ricos e nobres, donos de grandes propriedades de terras. Os camponeses queriam a posse das terras e o fim da exploração a que estavam submetidos. No final, morreram mais de mil camponeses e Münzer foi decapitado.
Um grupo de príncipes protestantes, em 1531, formou uma liga político-militar (Liga de Smalkalde) para lutar contra o imperador católico Carlos V. Até que, em 1555, esse imperador aceitou a existência oficial da Igreja Luterana, assinando com os protestantes a Paz de Augsburgo.
A doutrina luterana: a Bíblia é a fonte da fé, permitindo-se seu livre exame; salvação pela fé em Deus; os sacramentos são apenas o batismo e a eucaristia; o culto é simples e em língua alemã; fim da hierarquia católica (todos são pastores), do celibato e da adoração de santos; submissão da Igreja Luterana ao Estado. Locais de maior penetração: norte da Alemanha, Dinamarca, Noruega e Suécia.

JOÃO CALVINO (1509-1564)
Em 1534, as autoridades católicas francesas, começaram a perseguir os suspeitos de heresias. Calvino, que era francês, fugiu para a Suíça. Calvino, então, desenvolveu sua doutrina. Ele passou a defender a ideia de que o ser humano estava predestinado de modo absoluto a merecer o céu ou o inferno após a morte. Por culpa de Adão, todos os homens já nasciam pecadores. Mas Deus tinha eleito algumas pessoas para serem salvas, enquanto outras seriam condenadas à maldição eterna.
Mas como as pessoas saberiam estaria predestinadas à salvação de suas almas após a morte? Importante: Calvino afirmou que a fé existente em algumas pessoas e a prosperidade econômica (a riqueza material) seriam sinais de que elas pertenceriam ao grupo dos eleitos por Deus à salvação. Dessa maneira, Calvino criou uma religião que a burguesia aceitou muito bem, já que o lucro era justificado por essa nova religião: “quanto mais eu enriqueço, mais Deus está mostrando que minha alma será salva”.
É bom lembrar que o jogo, o culto a imagens, a dança, o adultério e a heresia eram atitudes condenadas pelo calvinismo. Muitos até foram condenados à morte, em fogueiras, por isso.
A doutrina calvinista: todos estão predestinados a terem suas almas salvas ou não; a Bíblia é a única fonte da fé, permitindo-se seu livre exame; a salvação ocorre pela fé e pela graça de Deus; os sacramentos são apenas o batismo e a eucaristia; o culto é simples e em língua nacional; fim da hierarquia católica (todos são pastores), do celibato e da adoração de santos; submissão da Igreja Calvinista ao Estado. Locais de maior penetração: Suíça, Holanda, parte da França (huguenotes), Inglaterra (puritanos), Escócia (presbiterianos).

HENRIQUE VIII (1509-1547)
Henrique VIII, rei da Inglaterra, rompeu com a Igreja Católica e fundou uma Igreja nacional da Inglaterra, isto é, a Igreja Anglicana. O rei inglês queria diminuir a influência política do Papa dentro da Inglaterra e a nobreza tinha interesse nas terras do clero católico, além dos fatores já citados anteriormente. A “gota d’água” para o rompimento com a Igreja Católica foi o fato de que o papa recusou-se a aceitar o pedido de divórcio feito por Henrique VIII em 1529, já que sua esposa, Catarina de Aragão, não lhe dava um filho homem para herdar o trono. O rei inglês queria se casar com Ana Bolena, mas o papa não aceitava sua separação. Além disso, Catarina era espanhola, e a Espanha era inimiga da Inglaterra.
Henrique VIII conseguiu que o alto clero inglês e o Parlamento reconhecessem a validade de suas intenções e obteve o divórcio. Em 1534, o Parlamento inglês votou um Ato de Supremacia, pelo qual considerava o rei o chefe supremo da Igreja nacional anglicana. Os ingleses passaram a ter que submeter-se a essa nova Igreja, caso contrário seriam excomungados e perseguidos pela justiça do rei.
A doutrina anglicana: a Bíblia é a fonte da fé, deve ser interpretada pela Igreja, mas se permite seu livre exame; a salvação ocorre pela fé e pela graça de Deus (predestinação); os sacramentos são o batismo e a eucaristia; o culto conserva a forma católica (liturgia), com a hierarquia da Igreja católica, mas a missa é rezada em língua inglesa; o rei é a autoridade máxima da Igreja Anglicana; a existência dos santos também não é aceita. Local de maior penetração: Inglaterra.

CONSEQUÊNCIAS DA REFORMA
Por causa da Reforma, ocorreu o enfraquecimento do poder político da Igreja católica; aumento do poder político dos reis; fortalecimento econômico da burguesia, principalmente graças ao calvinismo; conflitos entre católicos e protestantes; surgimento da Contrarreforma pela Igreja Católica.

5. A CONTRARREFORMA
A Igreja Católica não ficou quieta diante da Reforma Protestante. A fim de assegurar a unidade da doutrinada Igreja Católica e combater a Reforma, o papa Paulo III convoca o Concílio de Trento, que, após vários encontros das autoridades religiosas, entre 1545 e 1563, toma as seguintes medidas:
 reafirmação da infalibilidade do papa (o que o papa afirmar é verdade e não pode ser contestado);
 proibição da venda de indulgências e relíquias sagradas;
 criação de seminários para formação intelectual e religiosa do futuro clero;
 são mantidos o celibato clerical, além das obras e dos sete sacramentos, como fundamentais para salvação da alma;
 a reafirmação de que, no ato da eucaristia, ocorria a presença real de Cristo no pão e no vinho (o que era rejeitado pelos protestantes);
 a doutrina religiosa tem como fundamento a Bíblia, cabendo à Igreja Católica dar-lhe a interpretação correta;
 reativação da Inquisição pelo Tribunal do Santo Ofício, para julgar e punir as heresias a os partidários de outras religiões;
 criação de um índice de livros proibidos (Index Librorum Prohibitorum), pelo Tribunal do Santo Ofício, em 1564;
 criação da Companhia de Jesus, em 1534, por Inácio de Loyola Brandão, aprovada pelo Concílio. A Ordem dos jesuítas passa a divulgar a fé católica, através da catequese, no restante do mundo, principalmente na América. Inspirando-se na estrutura militar os jesuítas consideravam-se os “soldados” da Igreja, atuando através das escolas religiosas e da catequese para conseguir novos fiéis através da conversão ao catolicismo.

Estado Absolutista






2º TRIMESTRE – 2011
ENSINO FUNDAMENTAL – 6ª SÉRIE – POL. 2

O ESTADO ABSOLUTIST
Nome: _______________________________________ N°: ______     Turma: ______     Data: ____/____/____
Professor: Paulo Jardim
 
A

 





   
Introdução
     Como vimos, anchietano, na Idade Média, o poder dos reis era descentralizado e apenas nominal, limitado a seus próprios domínios feudais. Os reinos europeus estavam todos fragmentados, ficando os poderes nas mãos de senhores feudais. Mas, no final da Idade Média, o crescimento comercial e urbano, as mudanças nas relações de trabalho, a Guerra dos Cem Anos, a Peste Negra e o surgimento da burguesia levaram ao enfraquecimento do poder local dos senhores feudais e da Igreja Católica, o que acabou por beneficiar também os reis de cada região europeia. Iniciava-se, assim, a formação dos Estados Nacionais ou Estados absolutistas.

Definição
     O Estado absolutista foi um governo monárquico (dos reis), de caráter nacional (de um país inteiro) e absoluto. Os reis absolutistas passam a atender os interesses tanto da nobreza quanto da burguesia em ascensão.

Interesses de parte da nobreza feudal em apoiar o Estado Absolutista.
     Certamente, caro aluno, deves pensar que o rei combateu todos os senhores feudais. E que todos os senhores feudais colocaram-se, assim, contra os reis em cada região da Europa. Na verdade, muitos nobres colocaram-se a serviço do Estado absolutista porque perceberam que não havia como combatê-lo. Por outro lado, como o rei governaria sozinho? Ele precisava de ministros, secretários, juízes, cobradores de impostos, governadores,... Assim, seria muito útil contar com a ajuda desses nobres. Vejamos como foi essa “troca de favores”:
§         repressão às revoltas camponesas;
§         possibilidade de manter seu padrão de vida através do Estado, com terras além-mar, empregos públicos, isenção de impostos, pensões, títulos nobiliárquicos,...

Interesses da burguesia mercantil (ligada ao comércio) em apoiar o Estado Absolutista:
§         maior desenvolvimento da produção e do comércio interno e externo através do apoio do Estado (segurança nas estradas, construção de portos e vias de comércio, unificação do sistema de pesos e medidas, implantação de uma moeda única em cada país,...);
§         apoio às grandes navegações, já que os reis absolutistas, como recolhiam muitos impostos de toda a população, tinham dinheiro para construir navios, pagar marinheiros e mantimentos para as longas viagens,...;
§         combate às barreiras feudais (taxas, pedágios, servidão,...) e religiosas ao lucro;
§         participação na burocracia estatal, com empregos no governo.

Como o Estado Absolutista foi se fortalecendo:
Ø      uso da força a níveis interno e externo (repressão às classes pobres, guerra contra outras nações, combate aos exércitos feudais, perseguição a políticos contrários ao regime absolutista,...);
Ø      combate ao poder político e econômico da Igreja Católica;
Ø      utilização de teorias justificadoras do poder absolutista dos reis (ver abaixo);
Ø      apoio da burguesia e de parte da nobreza feudal em termos econômico, político e religioso.

As medidas que os reis absolutistas tomaram:
§         instituição do governo absoluto e soberano do rei;
§         definição de fronteiras nacionais, com a criação de limites territoriais, que darão origem aos países modernos;
§         o Estado (governo) se encarregou de unificar e centralizar as leis, os impostos, os exércitos, as diversas moedas, os sistemas de pesos e medidas;
§         implementação de uma língua nacional, para todos os habitantes dos países;
§         criação de uma força policial nacional e permanente (exército, marinha,...);
§         criação de uma burocracia (funcionários) a serviço do Estado;
§         forte intervencionismo na economia (política mercantilista).


As principais teorias que justificavam o poder dos reis absolutistas.
     Jacques Bossuet, contemporâneo de Luís XIV, foi um dos maiores defensores do absolutismo e, simultaneamente, do "direito divino dos reis". Em sua obra Política Segundo a Sagrada Escritura, afirmava que a Monarquia era a origem divina, cabendo aos homens aceitar todas as decisões reais. Quem questionasse as decisões dos reis seria não somente um inimigo público, mas também um inimigo de Deus.
     Thomas Hobbes proclamou que, em seu estado natural, a vida humana era "solitária, miserável, desprezível, bestial e breve". Assim, buscando escapar da guerra de todos contra todos, os homens uniram-se em torno de uma espécie de acordo - “contrato” - entre a sociedade e o Estado, a fim de trazer a paz e o progresso. Isto é, para alcançar essa paz, todos os homens deveriam passar a um soberano (rei) todos os direitos. Dessa forma, os reis os protegeriam contra a violência criada pelos próprios homens.

O PRIMEIRO ESTADO ABSOLUTISTA DA EUROPA: PORTUGAL

     Portugal está localizado na Península Ibérica no extremo oeste da Europa e é banhado pelo Oceano Atlântico. A Península Ibérica foi ocupada por vários povos desde 3000 a.C., como os iberos, celtas (séc. VIII e VI a.C.) fenícios, gregos, cartagineses e romanos (206 a.C.). Na Idade Média, chegaram os bárbaros visigodos (414) e finalmente os árabes muçulmanos (711) que, depois da conquista, se fixaram na região. Com a chegada dos árabes, parte dos povos que aí viviam se refugiaram ao norte da Península Ibérica, inicialmente no reino visigodo das Astúrias e, depois, organizando quatro outros reinos: Castela, Aragão, Navarra e Leão.
      Os árabes, embora pouco numerosos, impuseram facilmente o seu domínio porque distribuíam as terras dos visigodos que abandonaram a região pelos que se mantiveram aí. Foi uma época de grandes progressos com a introdução do cultivo de arroz, algodão, limão e laranja e de novos sistemas de irrigação. Incentivaram as manufaturas de azulejos e de tecidos, assim como a prática da pesca no Oceano Atlântico.
     Porém, os reinos do norte nunca aceitaram a presença dos árabes e, sobretudo com o crescimento demográfico, precisaram recuperar suas terras. Assim, os cristãos daquela região se dedicaram a reconquista dos seus territórios. Essa guerra assumiu características de Cruzada, isto é, de luta de cristão contra os mouros. Nesta Cruzada, os cristãos receberam a ajuda de nobres ingleses, franceses, alemães. 
     Henrique de Borgonha casou-se com Dona Teresa e recebeu um feudo chamado Condado Portucalense, ainda vassalo do Reino de Leão e Castela. Mas o filho deste casal, Afonso Henriques, continuou combatendo os mouros (árabes) e depois, de vencê-los, em 1139, tornou-se rei e separou-se de Leão e Castela, dando início a uma nova dinastia neste território: a de Borgonha. Nascia assim Portugal.
     Já no século XIV, Portugal enfrentou, como o restante da Europa, a crise do sistema feudal. Lembra-te disso? Muitos servos deixaram os seus feudos e foram para as cidades onde as condições da vida ainda eram muito ruins. Ao mesmo tempo Castela continuava combatendo os mouros e alguns nobres portugueses desejavam se engajar nesta luta para obter, assim, a possibilidade de ficar com suas terras ao sul da Espanha e no norte da África.
     Quando da morte de Dom Fernando (1367-1383) o último rei da dinastia Borgonha, o trono português passou para sua filha, que era casada com o rei de Castela, e a união dos dois reinos parecia decidida. Foi quando a burguesia, desejosa de ter um rei presente e atuante, aliada ao povo e parte da nobreza, expulsou estes governantes de Portugal e aclamou como rei o irmão bastardo de D. Fernando, D. João I, dando inicio a uma nova dinastia: a de Avis. Em agosto de 1385 as forças portuguesas venciam as de Castela na Batalha de Aljubarrota.
     A essa altura, a autoridade do rei já era forte, diferentemente do que acontecia no resto da Europa. Na direção do país, ele distribuiu terras, renovou a marinha, explorou minas e um manteve um exército permanentemente. Surgia o primeiro Estado absolutista da Europa.

O SEGUNDO ESTADO ABSOLUTISTA EUROPEU: ESPANHA
     A Península Ibérica, durante o século VIII, teve grande parte de seus territórios dominados pelos árabes que, inspirados pela Jihad muçulmana, empreenderam a conquista de diversas localidades do Oriente e do Ocidente. Na porção centro-sul, os árabes consolidaram a formação do Califado de Córdoba, enquanto a região norte ficou sob controle dos reinos cristãos de Leão, Castela, Navarra, Aragão e o Condado de Barcelona.  
     Por volta do século XI, esses reinos católicos resolveram formar exércitos que – inspirados pelo movimento cruzadista – teriam a missão de expulsar os “infiéis” muçulmanos daquela região. A partir de então, a chamada Guerra de Reconquista se alongou até o século XV. Com o desenvolvimento desses conflitos, os diferentes reinos participantes do combate conseguiram reduzir a presença dos muçulmanos e conquistar novas terras que enriqueceram tais governos.
     Durante essas guerras, os reinos ibéricos conseguiram a participação do francês Henrique de Borgonha, nobre que participou da guerra em troca do controle sob as terras do Condado Portucalense. Anos mais tarde, essa região deu origem à Monarquia Nacional Portuguesa. Já no século XV, o poder nos reinos católicos era garantido pelo reino de Castela, que controlava a grande maioria das terras da Península Ibérica nesse período.
      Em 1469, a presença muçulmana estava restrita ao reino mouro de Granada. Nesse mesmo ano, os territórios do Reino de Castela e Aragão foram unificados graças ao casamento entre os monarcas cristãos Isabel de Castela e Fernando de Aragão. Depois disso, novos exércitos foram responsáveis por expulsar os muçulmanos, definitivamente, com a tomada de Granada, no ano de 1492. A partir de então, esse reino, totalmente unificado e sob o comando de uma monarquia absolutista, passou a fortalecer-se, inclusive com grande incentivo ao comércio marítimo.

Fontes:
MORAES, José Geraldo Vinci. História Geral e do Brasil. São Paulo: Atual, 2009.
VICENTINO, Cláudio. História Geral e do Brasil. São Paulo: Scipione, 2010.
NETO, José Alves de Freitas. História. São Paulo: Harbra, 2009.
http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/historia/historia_trab/formacaodeportugal.htm
http://www.eb1-cacem-n1.rcts.pt/historia/formacao.html
http://www.brasilescola.com/historiag/formacao-monarquia-nacional-espanhola.htm
http://abdoneurico.sites.uol.com.br/portugal.htm

Adaptação: Paulo Jardim

Responde às questões abaixo, de maneira clara, completa e detalhada.

1. Relaciona o Estado absolutista com a expansão comercial europeia.
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

2. Como o Estado absolutista prejudicou alguns nobres e favoreceu outros?
____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
3. Para os servos e vilões, o Estado absolutista foi positivo, negativo ou apresentou esses dois aspectos?
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

4. Assinala a alternativa correta, justificando-a a seguir.
Quanto ao Estado absolutista, é correto afirmar que:
( A )       beneficiou apenas a burguesia;
( B )        beneficiou apenas a nobreza;
( C )        manteve a fragmentação territorial, típica da Idade Média;
( D )       manteve a fragmentação política, típica da Idade Média;
( E )        apresentou-se como um “Estado de equilíbrio” entre os grupos dominantes;
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
       Um dos pontos turísticos mais famosos do mundo é o Palácio de Versalhes ou também conhecido como Palácio de Versalhes, localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época de sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris.
     Considerado um dos maiores do mundo, o Palácio de Versalhes possui 2.000 janelas, 700 quartos, 1.250 lareiras e 700 hectares de parque. É um dos pontos turísticos mais visitados de França, recebe em média oito milhões de turistas por ano e fica a três quarteirões da estação ferroviária. Construído pelo rei Luís XIV, o Rei Sol, a partir de 1664, foi por mais de um século modelo de residência real na Europa.
http://www.bigviagem.com/palacio-de-versalhes-pontos-turisticos/

domingo, 12 de junho de 2011

POWER POINT - BAIXA IDADE MÉDIA

Power point - Baixa Idade Media

A BAIXA IDADE MÉDIA

A BAIXA IDADE MÉDIA (1096-1453)
E A CRISE DO FEUDALISMO
1. INTRODUÇÃO
A Idade Média foi dividida em dois períodos pelos historiadores: a Alta Idade Média e a Baixa Idade Média, sendo que este último foi o período entre os séculos XIII e XV. A Baixa Idade Média corresponde à fase em que as principais características da Idade Média, principalmente o feudalismo, estavam em processo de transformação. Ou seja, foi uma época em que o sistema feudal estava entrando em crise. Como veremos anchietano, muitas mudanças econômicas, religiosas, políticas e culturais ocorrem nesse período!

2. CRESCIMENTOS ECONÔMICO, TECNOLÓGICO E POPULACIONAL.
Desde o século XI, havia um avanço tecnológico na área agrícola. O desenvolvimento do arado de ferro com rodas, do moinho hidráulico e a utilização da atrelagem dos animais (bois e cavalos) pelo peito representaram uma evolução agrícola importante, trazendo um aumento significativo na produção dos gêneros agrícolas. Isto é, graças a estas inovações técnicas, houve uma expansão da agricultura, com a ampliação de áreas para o cultivo, incluindo os bosques, os pântanos,....
Esse século também foi marcado também pela diminuição nas guerras. Vivenciou-se neste período uma situação de maior tranquilidade em função do fim das Cruzadas (sobre esse assunto, lê o texto adicional neste polígrafo). Este clima de paz, em conjunto com o aumento na produção de alimentos, significou um significativo aumento populacional no continente europeu. Este crescimento demográfico foi interrompido em meados do século XIV com a peste bubônica, que matou cerca de um terço da população europeia.

3. A IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DAS CRUZADAS
O movimento das Cruzadas foi à organização de inúmeros exércitos europeus sob o comando de reis ou nobres, que foram convocados pelo Papa Urbano II, em 1095,para investir contra mulçumanos e assim defender a peregrinação de cristãos aos lugares sagrados como Jerusalém, na chamada Terra Santa (atual região da Palestina). È importante lembrar que os turcos proibiram a peregrinação cristã até os lugares santos no Oriente. Por outro lado, os cavaleiros cristãos enxergaram a possibilidade de obter terras e se tornarem grandes senhores feudais na Palestina. Além disso, os poderosos puderam se “livrar” das camadas miseráveis da sociedade. E as cidades comerciais
italianas, por sua vez, viram a oportunidade de reabrir e dominar as rotas comerciais com
o Oriente e restabelecer o lucrativo comércio das especiarias, que havia caído quase em
esquecimento entre os séculos V e X.
As consequências das Cruzadas tiveram um importante papel da desestruturação do
sistema feudal. Essas consequências foram as seguintes:
 reabertura do mar Mediterrâneo e o desenvolvimento do intercâmbio comercial entre
o Ocidente e o Oriente, como consequência da expulsão dos muçulmanos, que
dominavam esse espaço antes das Cruzadas;
 o renascimento urbano, também por causa do citado acima;
 fortalecimento do poder real, em virtude do empobrecimento dos senhores feudais
que se dedicaram às guerras contra os árabes muçulmanos, e
 o surgimento de novas rotas comerciais e das feiras medievais. Quando retornavam
das Cruzadas, lá na Terra Santa, muitos cavaleiros saqueavam, ao longo do caminho,
muitas= cidades do mundo árabe. O material destes saques (joias, tecidos, temperos,
etc.) era comercializado no caminho em direção à Europa. Assim, surgiram essas novas
rotas e feiras já citadas.

4. O PAPEL DA BURGUESIA NA CRISE FEUDAL
Nos burgos (cidades medievais) juntavam-se pessoas que não pertenciam a nenhum grupo social típico do feudalismo; não eram nobres, clérigos ou servos. Esses se dedicavam ao comércio e a produção artesanal, estava surgindo um novo grupo social. Então, foi neste contexto que começou a surgir uma nova camada social: a BURGUESIA. Como vimos, esse grupo morava nos burgos medievais, que eram as cidades comerciais que se desenvolveram fora das muralhas dos castelos ou até mesmo fora dos feudos. E foi justamente na Baixa Idade Média, na época da decadência feudal e do crescimento comercial, que surgiram esses núcleos urbanos. Com o aquecimento do comércio surgiram novas atividades como, por exemplo, os cambistas(trocavam moedas) e os banqueiros (guardavam dinheiro, faziam empréstimos, etc.). Além disso, esses novos grupos sociais (burgueses, cambistas, banqueiros, etc.) passaram a começar a se preocupar com a aquisição de conhecimentos, o que também melhoraria seus negócios Este fato fez surgir, nos séculos XII e XIII, várias universidades na Europa. Estas instituições de ensino dedicavam-se ao aos conhecimentos matemáticos, teológicos, medicinais e jurídicos. A ciência, portanto, começava a ganhar um impulso crescente, rompendo com o pensamento teológico, baseado em explicações religiosas.
5. A IMPORTÂNCIA DOS BURGOS MEDIEVAIS
Dedicados ao comércio, os burgueses enriqueceram e dinamizaram a economia no final da Idade Média. Esta nova camada social necessitava de segurança e buscou construir muros em volta de uma pequena vila. Surgiam assim os burgos que, com o passar do tempo, deram origem a várias cidades
(renascimento urbano). Inclusive, a burguesia iniciou uma luta pela emancipação de várias cidades sob domínio dos senhores feudais. Os burgos nasceram como entraves dentro do sistema feudal. Ainda, a necessidade de se fortalecer perante os senhores feudais, favoreceu a união dos burgos em ligas de comércio. A mais poderosa foi a Liga Hanseática, que dominava o comércio em toda a região do mar Báltico e do mar do Norte.
Seu centro era a cidade alemã de Lubeck, mas abrangia também Londres, Bruges e
Antuérpia.
As cidades passaram a significar maiores oportunidades de trabalho. Muitos habitantes
da zona rural passaram a deixar o campo para buscar melhores condições de vida nos
burgos europeus, caracterizando aquilo que chamamos de êxodo rural. Até mesmo muitos
servos, que conseguiam fugir de seus senhores feudais, começaram a ir para os burgos,
buscando uma vida melhor. Com a diminuição da sua mão-de-obra, os senhores feudais
tiveram que mexer nas obrigações dos servos que continuavam trabalhando para ele,
diminuindo os impostos e taxas. Em alguns feudos, chegaram a oferecer pequenas
remunerações para os servos. Estas mudanças significaram uma transformação nas
relações de trabalho no campo, desintegrando o sistema feudal de produção.
6. A CRISE DO SÉCULO XIV
O final da Idade Média é marcado por uma séria crise social, econômica e política,
cujas origens se encontram na Guerra dos Cem Anos, na Peste Negra e na fome, todas
responsáveis pelas revoltas dos servos e vilões.
6.1 - CRISE SÓCIO-ECONÔMICA
Como vimos acima, a partir do século XI houve uma expansão da agricultura. Ocorre
que, a partir do século XIII, as terras de boa qualidade estavam ficando cada vez mais
raras, acarretando uma diminuição na produtividade. Soma-se a isto, uma série de
transformações climáticas na Europa, responsáveis pela perda de colheitas e gerando uma
escassez de alimentos e períodos de fome (nos anos 1315 a 1317, 1362, 1374 a 1438).
As sucessivas crises agrícolas provocaram uma enorme escassez de mão-de-obra, levando
os servos a fazerem mais exigências por melhores condições de vida. Muitos servos até
conseguiram comprar a sua liberdade. Em algumas regiões, no entanto, a exploração sobre
os servos até aumentou, acarretando várias revoltas camponesas.
Tanto em um caso (abertura do sistema, quando o servo adquire a sua liberdade), como no
outro (fechamento do sistema, quando a exploração sobre os servos se torna ainda maior)
r
Segundo Trimestre – 2011 5
o resultado será o agravamento da crise feudal e o início de um novo conjunto de relações
sociais.
6.2 - CRISE POLÍTICA
O período medieval foi marcado pelos conflitos militares, dada a agressividade da
nobreza feudal. Entre estes conflitos, A Guerra dos Cem Anos (1337/1453) merece
destaque. Esse conflito ocorreu entre o reino da França e o reino da Inglaterra, motivado
por fatores:
 políticos - a sucessão do trono francês entre Filipe de Valois, da França, e
Eduardo III, rei da Inglaterra - e
 econômicos - a disputa pela região da Flandres (no norte da atual Bélgica),
importante área produtora de manufaturas.
Ao longo do combate, franceses e ingleses obtiveram vitórias significativas. Entre
seus principais personagens, destaque para a figura de Joana d'Arc (ver figura abaixo, à
esquerda), que no ano de 1431 foi condenada à fogueira. Após a sua morte os franceses
expulsaram os ingleses, vencendo a guerra.
Esta longa guerra prejudicou a economia dos dois reinos e contribuiu para o
empobrecimento da nobreza feudal e, consequentemente, o seu enfraquecimento político.
Ao mesmo tempo em que a nobreza perdia poder, a autoridade do rei ficava fortalecida,
beneficiando o processo de construção das Monarquias Nacionais, onde os reis terão
muito mais poder sobre os senhores feudais, chegando ao ponto de combater vários
destes para centralizar cada vez mais o poder.
Outro fator que contribuiu para a crise do sistema feudal foi a Peste Negra (figura
abaixo, à direita) Enfraquecida pela fome, a população europeia ficou vulnerável às
epidemias, como no caso da Peste Negra, trazida do Oriente. Essa doença foi provocada
pelo bacilo pasteurela pestis, que é transmitido pela picada da pulga que vive no rato. As
péssimas condições de higiene também contribuíram para o rápido alastramento da
doença. Os mais pobres foram os mais atingidos pelas desgraças da Guerra dos Cem Anos,
da fome e da peste. Calcula-se que um terço da população europeia desapareceu! Devido a
tudo isso, os camponeses propiciaram novas e poderosas rebeliões contra os poderosos
senhores feudais. E isso favoreceu ainda mais a desestruturação do sistema.
FONTES
http://noseahistoria.wordpress.com/os-alunos-e-a-historia-2/guerra-dos-cem-anos/
r
Segundo Trimestre – 2011 6
http://apostilavirtual.zip.net/images/idademedia.jpg
http://www.suapesquisa.com/idademedia/baixa_idade_media.htm
http://www.mundovestibular.com.br/articles/Paacutegina1.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Burgo
http://fsalvari.blogspot.com/2010/09/resumo-baixa-idade-media.html
http://2.bp.blogspot.com/cidade+medieval.jpg
http://www.brasilescola.com/upload/e/usura.JPG
http://4.bp.blogspot.com/CRUZADAS.jpg
http://jornale.com.br/wicca/wp-content/uploads/2009/07/cruzadas.jpeg
http://cinegarimpo.com.br/wp-content/uploads/2009/11/cruzada1.jpg
http://tnmoyenage.tableau-noir.net/jacquerie.html
Adaptação: Paulo Jardim

TEXTO ADICIONAL
ENTENDENDO MELHOR AS CRUZADAS
De 1096 a 1270, expedições foram formadas sob o comando da Igreja, a fim de
recuperar Jerusalém (que se encontrava sob domínio dos turcos seldjúcidas) e reunificar
o mundo cristão. Essas expedições foram chamadas de Cruzadas.
A Europa do século XI prosperava. Com o fim das invasões bárbaras, teve início um
período de estabilidade e um crescimento do comércio. Consequentemente, a população
também cresceu. No mundo feudal, apenas o primogênito herdava os feudos, o que
resultou em muitos homens para pouca terra. Os homens, sem terra para tirar seu
sustento, se lançaram na criminalidade, roubando, saqueando e sequestrando. Algo
precisava ser feito.
Jerusalém, a Terra Santa, pertencia ao domínio árabe e até o século XI eles
permitiram as peregrinações cristãs à Terra Santa. Mas, no final do século XI, povos da
Ásia Central, os turcos seldjúcidas, tomaram Jerusalém. Convertidos ao islamismo, os
seldjúcidas eram bastante intolerantes e proibiram o acesso dos cristãos a Jerusalém.
Em 1095, o papa Urbano II convocou expedições com o intuito de retomar a Terra
Sagrada. Os cruzados (como ficaram conhecidos os expedidores) receberam este nome
por carregarem uma grande cruz, principal símbolo do cristianismo, estampada nas
vestimentas. Em troca da participação, ganhariam o perdão de seus pecados.
A Igreja não era a única interessada no êxito dessas expedições: a nobreza feudal
tinha interesse na conquista de novas terras; cidades mercantilistas como Veneza e
Gênova deslumbravam com a possibilidade de ampliar seus negócios até o Oriente e todos
estavam interessados nas especiarias orientais, pelo seu alto valor, como: pimenta-doreino,
cravo, noz-moscada, canela e outros. Movidas pela fé e pela ambição, entre os
séculos XI e XIII, partiram para o Oriente nove Cruzadas:
 A Cruzada Popular ou dos Mendigos (1096) foi um acontecimento extraoficial que
consistiu em um movimento popular que bem caracteriza o misticismo da época e
começou antes da Primeira Cruzada oficial. O monge Pedro, o Eremita, graças a suas
pregações comoventes, conseguiu reunir uma multidão. Entre os guerreiros, havia uma
r
Segundo Trimestre – 2011 7
multidão de mulheres, velhos e crianças. A maioria morreu nos confrontos contra os
muçulmanos. Os muçulmanos mal imaginavam que aquela era apenas a primeira invasão
e que cavaleiros bem mais preparados ainda estavam por vir.
 a primeira Cruzada oficial (1096 – 1099) não tinha participação de nenhum rei.
Formada por cavaleiros da nobreza, em julho de 1099, acabou tomando Jerusalém;
 A segunda (1147 – 1149) fracassou em razão das discordâncias entre seus líderes Luís
VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império. Em 1189, Jerusalém foi retomada
pelo sultão muçulmano Saladino;
 a terceira Cruzada (1189 – 1192), conhecida como „”Cruzada dos Reis”, contou com a
participação do rei inglês Ricardo Coração de Leão, do rei francês Filipe Augusto e do
rei Frederico Barbarruiva, do Sacro Império. Nessa cruzada foi firmado um acordo
de paz entre Ricardo e Saladino, autorizando os cristãos a fazerem peregrinações a
Jerusalém.
 A quarta Cruzada (1202 – 1204) foi financiada pelos venezianos, interessados nas
relações comerciais;
 A quinta (1217 – 1221), liderada por João de Brienne, fracassou ao ficar isolado pelas
enchentes do Rio Nilo, no Egito;
 A sexta (1228 – 1229) ficou marcada por ter retomado Jerusalém, Belém e Nazaré,
cidades invadidas pelos turcos;
 A sétima (1248 – 1250) foi comandada pelo rei francês Luís IX e pretendia,
novamente, tomar Jerusalém, mais uma vez retomada pelos turcos. E, finalmente,
 A oitava (1270) e última Cruzada foi um fracasso total.
As Cruzadas não conseguiram seus principais objetivos, mas tiveram outras
consequências como o enfraquecimento da aristocracia feudal, o fortalecimento do poder
real, a expansão do mercado e o enriquecimento do Oriente.

TU SABIAS QUE...
Houve uma Cruzada das Crianças?! Ela teve origem na França e na Alemanha, no ano de
1212. Esta cruzada teria ocorrido entre a Terceira e a Quarta Cruzada e seria um
movimento extraoficial, baseado na crença que apenas as almas puras (no caso as
crianças) poderiam libertar Jerusalém. A
ideia teria surgido após a notícia de que
Constantinopla, uma cidade cristã, tinha
sido saqueada pelos cruzados, fazendo
cristão crerem que não se poderia confiar
em adultos.
Ao todo, cinquenta mil crianças teriam
sido colocadas em navios, saindo do porto
de Marselha (França) rumo a Jerusalém.
O resultado foi um desastre, pois a
maioria das crianças morreu no caminho,
de fome ou de frio. Algumas chegaram somente até a Itália, outras se dispersaram, e
houve aquelas que foram sequestradas e escravizadas pelos muçulmanos.
http://www.brasilescola.com/historiag/cruzadas.htm
Adaptação: Paulo Jardim